quinta-feira, 17 de março de 2011

Árvores da Serra da Mantiqueira

A região da Serra da Mantiqueira é o pulmão verde da região sudeste, dominada por uma rica vegetaçãosua flora é parte do ecossistema da Mata Atlântica e suas matas estão repletas de diversas espécies de árvores, como Quaresmeira, o Ipê, o Pinho Bravo e bosques de Araucária, dentre outras.


ARAUCÁRIA 



A Araucária é uma árvore alta, elegante com copa em formato de cálice, conhecida como, o pinheiro do Paraná.

No passado antes que as lavouras tomassem conta dos campos do sul do Brasil, a presença da Araucária era tão comum que os índios chamavam de “Curitiba” (que quer dizer “imensidão de pinheiros”) toda a extensa região, onde estas árvores predominavam. Agora dá para entender o nome da capital do Paraná não é mesmo?

A Araucária está presente no planeta desde a última glaciação, que começou há mais de um milhão e quinhentos mil anos. Esta planta já ocupou uma vasta área equivalente a duzentos mil quilômetros quadrados predominando no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e com manchas no sul de Minas gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Campos do Jordão é um município do estado de São Paulo, localizado na Serra da Mantiqueira, a uma altitude de 1 628 m, sendo o mais alto município brasileiro (altitude da sede, onde está localizada a prefeitura).

Essa cidade, é o último local, onde as Araucárias aparecem de forma natural, na Latitude de 22° 44’ 22” S.

A Araucária é uma espécie resistente, pertence à família da Araucariáceas e originária do Sul do Brasil. Só pode existir junto às terras altas dos planaltos e das serras em climas com temperaturas moderadas durante o ano. Suas características são: um tronco longo, podendo atingir mais de 50 metros de altura e seu fruto, a pinha, contém de 10 a 150 sementes, os famosos pinhões, que são muito nutritivos, servindo de alimento a aves, animais e ao homem.
O esquilo se alimenta dos pinhões e carrega a semente, plantando-a com a intenção de ter uma reserva de alimento e sem querer acaba ajudando na reprodução da árvore.

O homem com sua exploração indiscriminada da Araucária colocou-a na lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçada de extinção. Dos 20 milhões de hectares originalmente cobertos pela floresta de Araucária, restam atualmente, cerca de 2% dessa área.
A polpa do pinhão é formada basicamente de 57% de amido, sendo muito rica em vitaminas do complexo B, Cálcio, Fósforo e proteínas





QUARESMEIRA 





A Quaresmeira também é conhecida manacá-da-serra.
É uma espécie pioneira, característica da encosta úmida da Serra do Mar que ocorre do Rio de Janeiro até Santa Catarina. É encontrada quase exclusivamente na mata secundária, chegando, por vezes, a dominar a paisagem e podendo viver de 60 a 70 anos. 
Além da importância ecológica, a quaresmeira é muito utilizada na arborização urbana, com fins paisagísticos, devido à beleza de suas flores e por não apresentar raízes agressivas, permitindo seu plantio em diversos espaços, desde isoladas em calçadas, até em pequenos bosques em grandes parques públicos. Seu crescimento é rápido.

Elas têm esse nome porque parte da floração mais intensa é próxima ao período religioso da Quaresma, que vai da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa, período de reflexão que antecede a Páscoa para os católicos. Outra coincidência: a cor símbolo da Páscoa é o roxo, mesma tonalidade de cor das flores da quaresmeira.

As flores são solitárias, grandes, vistosas e duráveis. Desabrocham com a cor branca e gradativamente vão se tornando violáceas, passando pelo rosa. Esta particularidade faz com que na mesma planta sejam observadas flores de três cores.

Sua madeira apesar de ser de qualidade inferior é indicada para a construção de vigas, caibros, obra internas, postes, esteios e moirões para lugares secos.

Estresse faz as quaresmeiras florirem

Na mata original, a quaresmeira pode viver de 60 a 70 anos. Com o estresse da cidade, elas vivem menos de 50 anos e podem florescer três vezes por ano. As maiores vítimas do estresse são as quaresmeiras que se encontram isoladas nas ruas. Os vilões são o monóxido de carbono, produzido pela queima de combustível dos veículos, e o ozônio. A falta de adubação, o pequeno espaço para crescer e expandir suas raízes e as podas drásticas também apressam a morte das quaresmeiras.

IPÊ AMARELO

O ipê-amarelo é encontrado em todas as regiões do Brasil e sempre chamou a atenção de naturalistas, poetas, escritores e até de políticos. Em 1961, o então presidente Jânio Quadros declarou o ipê-amarelo, da espécieTabebuia vellosoi, a Flor Nacional. 
Desde então o ipê-amarelo é a flor símbolo de nosso país.


Ipê é uma palavra de origem tupi, que significa árvore cascuda, e é o nome popular usado para designar um grupo de nove ou dez espécies de árvores com características semelhantes de flores brancas, amarelas, rosas, roxas ou lilás. No Norte, Leste e Nordeste do Brasil, são mais conhecidos como pau d’arco (os indígenas utilizavam a madeira para fazer arco e flecha); no Pantanal, como peúva (do tupi, árvore da casca); e, em algumas regiões de Minas Gerais e Goiás, como ipeúna (do tupi, una = preto). Na Argentina e Paraguai ele é conhecido como lapacho.

De forma geral os ipês ocorrem principalmente em florestas tropicais, mas também podem aparecem de forma exuberante no Cerrado e na Caatinga. A Tabebuia chrysotricha é uma das espécies nativas de ipê-amarelo que ocorre na Mata Atlântica, desde o Espírito Santo até Santa Catarina. Este nome científico (chrysotricha) é devido à presença de densos pêlos cor de ouro nos ramos novos. Tem como sinonímias Botânicas: Tecoma chrysotricha e Handroantus chrysotrichus.

Conhecidos por sua beleza e pela resistência e durabilidade de sua madeira, os ipês foram muito usados na construção de telhados de igrejas dos séculos XVII e XVIII. Se não fosse pelos ipês, muitas dessas construções teriam se perdido com o tempo. Até hoje a madeira do ipê é muito valorizada, sendo bastante utilizada na construção civil e naval.

Hoje é muito difícil encontrar uma árvore de ipê-amarelo em meio à mata nativa, quando isso acontece, o espetáculo é grandioso e merece ser apreciado com calma e reverência. Podendo atingir até 30 metros de altura, o ipê em flor no meio da mata, contrasta com o verde das outras árvores.

As variedades de pequeno e médio porte (8 a 10 metros) são ideais para o paisagismo e a arborização urbana. A coloração das flores produz um belíssimo efeito tanto na copa da árvore como no chão das ruas, formando um tapete de flores contrastantes com o cinza das cidades. 
Sendo uma espécie caducifólia, o período da queda das folhas coincide com a floração que se inicia no final do inverno. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada do ipê amarelo. As flores desta espécie atraem abelhas e pássaros, principalmente beija-flores que são importantes agentes polinizadores. 

PINHO BRAVO

O Pinheiro-bravo ou Pinho-bravo, como também é conhecido, é uma árvore encontrada na Floresta com Araucárias sendo, portanto, mais restrita ao sul do país. Contudo, ainda podem ser encontradas em pequenos fragmentos nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Esta árvore geralmente ocorre em ambientes de clima mais frio, podendo ser encontrada em solos de baixa fertilidade. Ainda pode ser evidenciada nas Matas de Galerias, ao longo dos cursos de rios, em campos rupestres, em encostas e topos de montanhas. Ocorre em lugares onde há uma grande incidência luminosa, uma vez que necessitam de muita luz para se desenvolverem.

Podendo atingir até 14 metros de altura, com um tronco de coloração parda e acinzentada. Do mesmo, a exploração de sua madeira permite a confecção de inúmeros materiais, de celulose e papel. Sua lenha pode ser utilizada para a queima. No entanto, certamente esta árvore contribui muito mais quando está viva.

Suas sementes podem ser utilizadas como fonte de alimento tanto para animais quanto para os homens. Elas são recobertas por uma película adocicada, diferente das camadas encontradas nos frutos verdadeiros. Sendo assim, muitas aves procuram as sementes destas árvores para se alimentarem. Devido a sua forma majestosa, são utilizadas no paisagismo de praças, parques e outras áreas urbanas, bem como na recuperação de áreas degradadas.

Pelo fato de estar associada principalmente com as Florestas de Araucárias, o Pinheiro-bravo encontra-se ameaçado devido à elevada exploração desses ambientes. Nas últimas décadas, o Paraná tem observado uma drástica redução na cobertura deste tipo florestal, restando menos de 1% destes ambientes. Seja pela conversão de sua paisagem em campos agricultáveis, pastos ou simplesmente pela derrubada da vegetação, as espécies que ocorrem nesse bioma padecem com a fragmentação, tendo suas populações drasticamente reduzidas.



5 comentários:

  1. Me permitam uma correção, apesar de serem parentes, a quaresmeira (Tibouchina granulosa) não é a mesma árvore que o manacá (Tibouchina mutabilis). O manacá da serra é nativo da Serra do Mar e tem flores que vão mudando de cor. Já a quaresmeira, floresce numa cor só (roxa ou rosa) e é endêmica de uma região mais ampla que inclui a Serra da Mantiqueira.

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  2. Gostei mto, continue com esse trabalho!
    Uma pergunta: o pinheiro bravo demora muito a crescer?

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  3. Que eu saiba a Araucária aparece naturalmente em diversas cidades, não apenas da cidade citada...

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  4. Concordo! As Araucárias não aparecem de forma natural apenas em Campos de Jordão não... já ouviu falar em MONTE-VERDE??? Muito mais lindo e mais aconchegante que campos.. e só 2h de São Paulo! Recomendo :)

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